Preciso de um homem que me valide

Meu namorado não está falando coisa com coisa e está me fazendo sofrer. Eu me desvelo em cuidar dele. dou os remédios na hora certa, compro a comida (não cozinho), faço o curativo no corte da cirurgia, cuido das suas roupas, cuido da agenda de consultas e exames, cuido para que não lhe falte nada…

Mas ele pirou. Diz que não sabe se me ama o suficiente e fica falando que vai voltar para a casa dele – antes de morar comigo ele morava no casarão da família, onde também moram a irmã, o cunhado e um sobrinho. Estranho é que ele dizia que não se sentia bem neste sobrado, não sentia que era dele, e sim da irmã e do cunhado, sentia-se como uma visita e tinha só o quarto como realmente seu.

Sou tão insegura para lidar com estes aspectos do relacionamento que não sei como agir. Ele perguntou: se eu for embora e depois me arrepender e quiser voltar, você me aceita de volta? Eu digo que não, depois digo que sim. Já não é a primeira vez que ele fala em voltar para o sobrado. Cada dia fala com mais veemência.

Mas preciso ser assertiva. Quando ele tocar neste assunto de novo, eu vou dizer para ele ir embora, sim. Pode ter volta? Não sei, vou dizer, depois de um tempo a gente conversa. Mas não vou ficar namorando ele neste período, vamos dar um tempo. Será isso o melhor a fazer? Preciso tanto falar com o meu psicólogo, ele vai me orientar.

Eu acho que ele gosta de mim, mas está confuso e assediado por maus espíritos. Não sou espírita, mas o espiritismo é a religião com a qual eu mais me identifico. Como vencer este assédio? Ele precisa se posicionar.

Meu namorado também teve muitas dúvidas antes de se casar, por não saber se gostava da noiva o suficiente.

A dúvida é especialmente deletéria para nós, bipolares. Nossa doença já é a doença do incerto, do inseguro, então precisamos conviver com certezas. Mas ele está muito doente, tenho que levar isso em conta, se eu pressioná-lo posso perdê-lo para sempre. Bem, e se for assim? O futuro que me aguarda não é risonho – cuidar de um homem depressivo 21 anos mais velho. E cuidar é a palavra para toda a vida, pois ele é doente, sempre foi. O filho mais velho me disse que acha que este foi um fator preponderante para a mãe dele morrer de câncer. Eu é que não vou morrer de câncer por causa de um marido doente, mal-humorado, irritadiço, colérico, egoísta.

O que me deixa vulnerável é o fator dinheiro. I need his money. Como eu subestimo a importância do dinheiro, da independência financeira! Hoje de manhã, antes de toda a discussão, comprei um sapato e uma blusa e fiquei muito contente, mesmo endividada até o pescoço. Minha compulsão por compras me prejudica demais. Não fosse por isso, estaria muito mais altaneira e poderia dizer sem medo nenhum: vai, namorado, vai embora se é isso o que você quer fazer. Mas não olhe para trás.

Nestas situações, invariavelmente eu fico em posição de subalternidade. Com o meu marido anterior foi a mesma coisa. Ele dizia que ia embora e eu pedia para tentarmos mais uma vez. Isso se repetiu muitas e muitas vezes. Na época, não foi o dinheiro que me atava a ele, mas o medo de ficar sozinha.

Não sei ficar sozinha. Não tenho autoestima suficiente para me bancar, preciso que um homem me valide. Porque eu não confio no meu valor.

Quando eu era mais jovem, cometi muitos erros ao não dar valor a quem merecia (no caso, dois homens que me amaram, em épocas distintas). Eu os chamo de o meu melhor namorado e o marido número três. Mas eu era muito mais autoconfiante. Ou melhor, orgulhosa e soberba. Isso mudou, mas, como sou bipolar, fui para o extremo oposto, o da total fragilidade e dependência. Equilíbrio, equilíbrio, tão almejado equilíbrio…

2 thoughts on “Preciso de um homem que me valide”

  1. Penso muito nisto… cuidar… sempre fui uma esposa exemplar… Amélia… cuidei de lar, marido e filhos, e hoje sou sozinha… eu cuido de mim.
    Eu também não sei ficar sozinha. Isto conjugado aos efeitos, eu diria bipolares, me levaram a viver situações que hoje considero perigosas e humilhantes. Assim como os Anônimos, estou lisa há 9 meses sem um relacionamento humilhante, a não ser um namoro totalmente diferente de tudo que eu já vivi. É a minha história da vez, desta temporada…
    Não consigo comprar uma agulha, por causa de meu endividamento. Por que os bipolares são assim? Mas eu tenho um ótimo emprego que me suga todas as energias, mas me garante a sobrevivência. Passo muitos apertos mas nada como um mês após o outro, uma dia após um, e uma fase após outra…
    Hoje eu tenho a convicção dos meus erros passados. Eu achava que as coisas absurdas aconteciam por minha causa, mas vejo agora que o universo nos coloca em determinadas situações para que aprendamos. Sou espírita. Quando eu olho para trás, eu consigo identificar relacionamentos obsessores e agradeço a Deus pelos livramentos.
    Hoje eu me sinto mais equilibrada, quando medicada e assistida por terapia, inclusive as alternativas, como meditação, homeopatia, acupuntura e apometria. Vou levando. Não deixo a vida me levar mais, agora eu estou com as minhas rédeas em minhas mãos. Continuo a pisar na bola… E quem não? que atire a primeira pedra…

  2. Eu não sou religiosa, mas se fosse, com certeza seria espírita. Sou muito dependente da figura masculina. Isto já foi trabalhado em terapia exaustivamente, mas não fiz grandes progressos. Muito bacana o seu relato, obrigada! Abs, Amanda Montenegro – Codinome: Vagalume.

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