What a day!

Hoje, em função dos acontecimentos recentes,  a sessão de terapia foi muito profunda. Contei ao meu terapeuta que o namorado falou que não sabe se me ama o suficiente. Vou tentar me lembrar o que o psicólogo falou (as sessões mais difíceis são as mais complicadas para lembrar):

  1. Eu também não amo o meu namorado. Ele não é um companheiro para mim, não fazemos sexo, ele não me ajuda, eu só estou com ele por causa da punibilidade – aquela história de precisar me punir por ter sido filha-da-puta no passado (com o meu melhor namorado e com o marido número três);
  2. Em vista dos meus progressos, ele está sendo um estorvo, atrapalhando a minha caminhada;
  3. Antes as minhas sessões giravam em torno do meu relacionamento com a minha mãe, hoje giram em torno do namorado – troquei seis por meia-dúzia;
  4. Eu devia passar para ele esta mesma insegurança que ele me passa. Dizer: eu também não sei se amo você o suficiente;
  5. Eu não preciso terminar o relacionamento, mas ele tem que voltar a morar no sobrado.

A minha sessão foi às 10h, e às 11h (vejam que coincidência), a psicóloga do namorado tinha pedido para conversar comigo – com a presença do namorado, é claro. Gosto da moça, é inteligente, alto-astral, técnica. Ela começou dizendo que relutou muito em me chamar, afinal esta não é uma conduta padrão, mas me chamou em vista da paralisia do namorado. Nas últimas sessões ele tem estado bloqueado, fechado em si mesmo, e não consegue se lembrar de nada. Eu abri o jogo total com ela, na presença dele. Falei:

  1. A carga está muito pesada para mim;
  2. Ele é demasiado demandante (como um bebê);
  3. Se ele não está dormindo, está em desespero ou semidesespero;
  4. O filho dele falou que, quando ele arruma alguém, ele se escora;
  5. Não quero ser a escora dele, pois isso é patológico;
  6. Ele disse não saber se gosta de mim o suficiente (nessa parte ela disse para eu não levar isso em consideração, pois o namorado não está no domínio de suas emoções e pensamentos);
  7. Tem uma parte de mim que aprecia a sua dependência, pois isso significa que ele não vai me abandonar;
  8. Eu acredito, por experiência própria, que a maior parte da cura depende do paciente (chamei isso de pegar o touro pelo chifre);
  9. Tenho um temperamento alegre e não estou disposta a viver no suplício desta doença o resto da vida, ou seja, a ajuda tem prazo de validade;
  10. Eu gosto de mimar, mas não quero ser a causadora da doença dele.

Falei bastante, hum?

Tanto a terapeuta como o filho do namorado chamaram a atenção para o fato de ele ser independente antes de me conhecer. Agora ele não sabe o dia da semana, pede que eu faça até as suas ligações telefônicas, não sabe que remédios toma, não guarda as datas dos exames e consultas. Tudo isso faço eu, e, como já confessei, com uma boa dose de prazer.

A psicóloga recomendou que marcássemos uma consulta com um neurologista, pois ela desconfia que alguma das drogas está causando a perda de memória.

Depois de toda esta conversa, ela fez a pergunta crucial: como está sendo ele estar na sua casa? Complicado, respondi, pois não sei se é temporário ou definitivo – estou poupando-o desta decisão pela fase de depressão aguda pela qual ele está passando. “Não, não poupa ele não!” – ela disse.

Então tá. Decidi assim: se quer morar comigo, que seja em definitivo, caso contrário, volta para o sobrado, como quer o meu psicólogo. O namorado falou que está com medo, que sente-se acuado, sem condições de decidir pois está doente e eu estou judiando dele. Isso ele falou depois, sem a presença da terapeuta. Ele pediu três dias para pensar, depois se arrependeu e disse precisar de mais tempo. Não, são três dias mesmo, respondi.

Eu deixei claro que estou na vida dele para AJUDÁ-LO, e não para acuá-lo ou constrangê-lo. Falei que ele vai poder contar comigo em todas as situações, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, aquela coisa toda. Isso, percebe-se, vai de encontro ao prazo de validade. Amanda contraditória. Disse que a minha dedicação tem prazo de validade e em seguida prometo uma dedicação incondicional. Mas acho que ele captou o espírito da coisa: a minha dedicação é incondicional – desde que ele demonstre verdadeiro esforço para se curar.

Ufa! Que dia! Acho até que este post não ficou bem escrito, ficou confuso. É a confusão real que estou vivendo.

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