Meu irmão

Meu irmão: uma das duas pessoas nesta vida que eu amo incondicionalmente (a outra pessoa é assunto para outro post).

Desde pequena eu sonhava em ter um irmão mais novo, loirinho, para que eu pudesse cuidar. Quando eu tinha 12 anos, a minha mãe engravidou e eu sabia que era ele que estava chegando. Naquela época, éramos duas filhas: eu e a minha irmã, três anos mais nova.

Cuidei dele, levava para passear, levava à piscina do clube, passava as tardes com ele ensinando-o a andar segurado por uma fralda que enlaçava seu corpinho. Era um bebê lindo!

Fartos cabelos loiros dourados, gordinho, cheio de saúde. Ele nasceu 10 meses após a morte do meu avô materno. A morte do meu avô nos deixou muito abalados, ele era o o patriarca aglutinador da família. O nascimento do bebê não poderia ter acontecido em época mais propícia. Ele trouxe nova vida à casa. Minha mãe amamentou-o por longo período, tinha bastante leite, ele tinha muita vitalidade.

Meu irmão também tem transtorno bipolar. Ele é mestre naquilo que eu chamo de “segurar o touro pelo chifre”. Ou seja, ele encara o problema e lança mão da sua força de vontade para não ser dominado pela doença. Pratica diariamente atividades físicas com afinco: corre, nada, joga basquete. Isso ajuda muito. E, claro, tem acompanhamento psicológico e psiquiátrico.

Faz faculdade de Psicologia e já está realizando seu primeiro atendimento, sob a supervisão do professor. A paciente é uma senhora de meia-idade esquizofrênica (brinco que ele escolheu um caso facinho para começar rsrs).

Tem 35 anos, trabalha e estuda. A doença lhe impõe algumas restrições: ele mora em uma edícula alugada, não dirige, não tem namorada. Já esteve internado, assim como eu. E, também assim como eu, tem compulsão por compras, vive endividado.

Traços fortes: muito humano, honesto, bem-humorado, inteligente, generoso ao extremo, estudioso. Amo muito o meu irmão, somos muito próximos. Não há nada que eu não faria por ele. Tenho muito orgulho do meu irmão.

Ele não mora na mesma cidade que eu, mora longe. Nós nos vemos periodicamente. Gostaria de conviver mais com ele, mas são as vicissitudes da vida. Só uma coisa eu posso dizer: que bom que somos irmãos.

Sincronicidade: enquanto eu escrevia este post, tocou o telefone e era ele. Tal é a nossa conexão energética. Li o texto para ele, ele gostou. Como é bom termos tanta afinidade com alguém!

2 thoughts on “Meu irmão”

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