O meu melhor namorado e mais um aborto

OS OUTROSKid Abelha

Já conheci muita gente

Gostei de alguns garotos

Mas depois de você

Os outros são os outros

Ninguém pode acreditar

Na gente separado

Eu tenho mil amigos mas você foi

O meu melhor namorado

Procuro evitar comparações

Entre flores e declarações

Eu tento te esquecer

A minha vida continua

Mas é certo que eu seria sempre sua

Quem pode me entender

Depois de você, os outros são os outros e só

São tantas noites em restaurantes

Amores sem ciúme

Eu sei bem mais do que antes

Sobre mãos, bocas e perfumes

Eu não consigo achar normal

Meninas do seu lado

Eu sei que não merecem mais que um cinema

Com meu melhor namorado

 

Começo a escrever sobre ele e me dá uma saudade… Saudade daqueles tempos luminosos, radiantes, repletos de amor e cumplicidade… Depois de dois cafas, eu merecia uma cara legal, né? Pois então, foi ele que chegou…! Me conquistou aos poucos, demorei mais de um ano para transar com ele. Com o sexo, foi maravilhoso. Nos tornamos dois bobos de tanta felicidade. Nós não coabitamos, mas eu o considero meu marido porque foi uma relação muito íntima, maior que muitos casamentos.

Foi a minha primeira relação lícita. Minha família demorou um pouco a aceitar, pois eu não escondia que fazia amor com ele. Minha mãe, principalmente, a líder da família, demorou a aceitar. Mas ele soube conquistar a minha família também.

Tantas qualidades… Super gente boa, amoroso, expansivo, alegre, engraçado, tudo para ele estava bom. Uma pessoa descomplicada. A presença dele era o sol entrando porta adentro. Me enchia de mimos, rosas roubadas, rosas compradas, cartões de amor, bichinhos de pelúcia… Nunca me senti tão amada.

Com ele tive meu primeiro orgasmo. Tomávamos banho juntos, ficávamos o fim de semana inteiro fazendo amor, ele cozinhava para mim… “Brindando cerveja como se fosse champanhe” – aquele trecho da música Aventura, do Eduardo Dusek.

Não tínhamos grana. Ele, pobre de tudo. Eu, vivendo com a mesada dos meus pais, que pagava a faculdade cara. Mas isso não era importante.

Então aconteceu uma coisa muito chata. Esqueci de tomar anticoncepcional um dia e engravidei (de novo!). Conversamos e eu expliquei que não poderia ser mãe àquela altura, fazendo faculdade e vivendo às custas dos meus pais. Ele também não tinha nenhum respaldo financeiro. Então decidimos abortar. Ele pediu dinheiro emprestado para um parente. No dia do procedimento, ele e uma amiga foram comigo. Mais uma vez, um alívio quando terminou.

Ao todo, fiquei com ele oito anos. Colocamos aliança de compromisso, depois aliança de noivado, planejamos o casamento. Aí entra o meu pai. Meu pai sonhava um futuro glamouroso para mim, e não aceitava que eu me casasse com um moço pobre, sem estudo e sem ambição. Tolerou nossa relação durante algum tempo, mas, quando viu que a coisa estava ficando séria, interveio. Disse que, seu eu continuasse com aquele relacionamento, nunca mais falaria comigo. Eu sabia que ele estava falando sério.

Por aquela época, meu pai era um ídolo para mim, eu o venerava. Ele já não morava com a minha mãe, mantinha sua vida dupla, mas, mesmo assim, fez o que fez. Eu não conseguiria viver sem falar com o meu pai. Então terminei a relação.

Foi uma surpresa, o meu noivo não conseguia entender. Nós nos amávamos tanto… Ficou muito ferido. E eu entrei em crise de depressão. Tive enxaquecas fortíssimas, tive que ser internada várias vezes. Até então, foi a maior perda da minha vida.

E aí acaba a história. Nós nos reencontramos há dois anos, ele me abraçou forte e disse que ainda me adorava. E eu disse: “eu também te amo”. O que é verdade: eu o amo de todo o coração. Amor verdadeiro não morre, não importa o que o futuro traga. É totalmente possível amar mais de um homem. Hoje, me arrependo do rompimento. Principalmente porque foi por culpa do meu pai, que não merecia nenhum crédito.

Mas, esta é a vida. Hoje o meu melhor namorado está casado, tem uma filha adolescente muito bonita, está feliz com a esposa. Ele merece.

2 thoughts on “O meu melhor namorado e mais um aborto”

  1. Amanda,
    Você acredita que os pais exerçam influência assim sobre o futuro amoroso de um filho nos dias de hoje? Pergunto pq pela situação q estou passando penso que meu ex sogro fez como seu pai fez há alguns anos atraz com meu relacionamento. Porque sou pobre não tenho nome imóveis enfim… O filho ouviu o pai. Não imaginava que poderia acontecer pelo ano 2016. Você pensa q esta situação é atemporal?

    1. Oi, Larissa. Não acredito que seja atemporal, não. Acredito que a autonomia dos filhos vai ser cada vez maior. Tudo depende, é claro de dois fatores: a estrutura familiar e a idade do filho. Hoje, por exemplo, eu nunca permitiria que meu pai me chantageasse. Mas eu era muito jovem e idolatrava meu pai. Quanto à estrutura familiar, há que se ver o tamanho da presença dos pais na vida dos filhos. Há famílias que infantilizam os filhos. E aí entra a questão do dinheiro. O filho ainda depende financeiramente dos pais? Enfim, são múltiplos fatores.

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