Amanda acorda chorando

Eu falei que não chorava, mas hoje chorei de saudade da minha irmã. Saudade misturada com revolta – por que você tinha que morrer, irmãzinha?

Um dos filhos do meu marido vai ser papai, e todo mundo está fazendo a maior festa. Sinto inveja. Afinal, as pessoas se casam, têm filhos saudáveis, bonitos, e todos ficam felizes. Por que conosco tinha que acontecer essa tragédia?

Fiquei pensando em como seria agora, eu morando na mesma cidade que ela, a cidade em que nascemos. Ela e a família viriam me visitar, eu e o meu marido iríamos na casa dela… Que maldição foi essa que se abateu sobre nós?

Tenho raiva, e ela não passa. Já faz 13 anos que ela morreu, mas a ferida está aberta. Chorei sentida, em silêncio e solitária. Gostaria de dividir esse sentimento com a minha mãe, mas, se eu sofro, ela deve sofrer muito mais. Não vou trazê-la para essa tristeza.

Ainda bem que eu chorei, extravasei. Eu não me incomodo de chorar, apenas não é habitual. Não me esforço para não chorar, e quando vem a vontade eu deixo as lágrimas rolarem.

Como a vida seria diferente com a presença da minha irmã!

Como eu já disse no post Minha irmã, o nosso relacionamento não era fácil. Não vou florear as coisas só porque ela morreu. Mas acho que, agora, mais maduras, tínhamos tudo para sermos mais próximas.

Uma das nossas piores desavenças foi quando ela me expulsou da casa da minha mãe. Eu tinha entrado em uma tremenda crise bipolar e pedido demissão. Passei a vender pacotes turísticos, sem registro nem nada. Ganhava uma comissão mixuruca. Então pedia dinheiro para a minha mãe. Um dia minha irmã se irritou e interveio. Gritou comigo, me mandou embora. Eu fui. Minha mãe não abriu a boca. Tenho mágoa da minha mãe por isso. Afinal, ela devia ter se posicionado.

Nessa época, fiquei sem dinheiro para comer, o meu melhor namorado é que levava as coisas para mim. Como ele era muito pobre, levava latinhas de sardinha e de seleta de legumes. Passei fome. Todo o dinheiro ia para o aluguel e as demais contas da casa.

Mas logo eu fiz as pazes com a minha mãe e a minha irmã, pois elas, a convite da minha tia, foram passar o Natal na cidade em que eu morava. Fiquei muito feliz de recebê-las na minha casa e deixei de lado todo o ressentimento (sou uma pessoa de coração bom).

Depois arrumei um emprego muito melhor e a fênix renasceu das cinzas. Como sempre.

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