A teimosia dos bipolares

Os bipolares, e isso eu já falei mais de uma vez… ah, nós somos obstinados… Ninguém aqui desiste fácil, vamos atrás daquilo que queremos com perseverança.

Se estamos deprimidos é diferente, nada tem importância. Porém nas fases de controle, hipomania ou mania, nada nos detém. Não nos conformamos com a derrota, vamos até o fim para obter aquilo que queremos, não jogamos a toalha.

Eu, por exemplo, teria feito uma carreira empresarial plena de sucesso. Fazia meu trabalho com alta qualidade, rapidez (levava o serviço para casa), dedicação e competência. O meu problema sempre foi a instabilidade. Dias de alta performance entremeados com dias em que perdi a capacidade de leitura e de escrita. Eu me graduei na melhor escola de Administração de Empresas do País, tive chances inestimáveis de ocupar altas posições, mas sempre fui impedida pela bipolaridade.

Uma das palavras que mais me incomodam é potencial. “A Amanda tem muito potencial”. Ouvi isso muitas e muitas vezes. Mas de fato esse meu potencial nunca se mostrou em sua plenitude. Nunca aflorou. Hoje a maioria dos meus colegas de classe, não tão brilhantes quanto eu, ocupam posições na alta administração de grandes corporações. E eu estou aposentada pelo INSS.

Mas esta história apresenta mais variáveis. Acredito que cada ser humano tenha uma missão de vida, e a minha missão não era ter um alto cargo em uma empresa, algo que faria vir à tona um defeito do qual me envergonho: o apego ao poder. Minha missão nesta vida era ter uma carreira mais assistencial, ou seja, que ajudasse as pessoas. Meu plano original era ser psicóloga, esse era o plano A. Mas me desencaminhei devido aos constantes atritos com a minha mãe, o que me fez querer uma profissão em que ganhasse dinheiro rápido.

Já me perguntaram várias vezes se eu sou psicóloga, esta é a segunda pergunta que eu mais ouço (a primeira é se eu sou japonesa, pois tenho traços orientais). Não sou psicóloga, infelizmente. O meu sonho era cuidar de crianças com deficiência mental. Eu teria sido muito mais feliz, com certeza.

Eu fui demitida do meu último emprego, injustamente. Meus chefes alegaram baixo rendimento, mas isso nem se discute, é claro que meu rendimento era baixo: eu estava muito doente. Enfim, graças a esta demissão, pude ficar mais próxima da minha mãe (e com ela eu tenho muito a resgatar), mais perto do meu irmão, e não teria conhecido o meu marido. Ficar diariamente trancada oito horas dentro de um escritório é uma vida muito restrita. Essa decisão (pedir demissão) não teria partido de mim, pois eu ganhava muito bem. Então a vida, o destino, o Universo, deram um empurrãozinho…

Hoje posso me dedicar a este site, que considero uma grande vitória. E vai ser cada vez mais, tenho certeza, pois eu me empenho. E é um trabalho que me enche de prazer e alegria, pois posso ajudar as pessoas, mesmo que um pouquinho só.

Garra, raça, obstinação, teimosia até. Há uma linha tênue entre perseverança e teimosia. Mas, canalizadas para o objetivo certo, elas podem ser de grande valia. E assim sigo o meu caminho, perseverante – e teimosa.

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