A analogia do mergulho

Encontrei no site Dream’NGO um texto com ideias inéditas e muito criativas sobre transtorno bipolar, de autoria de Paula Azevedo.

O texto faz um bonita analogia com os momentos submersos e imersos do transtorno bipolar. Quando submergimos, é o momento da reclusão, da solidão, você consigo mesmo, ou seja, do mergulho em sua realidade. O mundo torna-se distante, o som, as imagens distorcidas. Se bem aproveitado, este momento de reclusão pode ser benéfico, como uma metamorfose de uma larva em borboleta. Se mal aproveitado, mal direcionado ou com um tempo mais estendido, eis a depressão.

Já quando emergimos, é o momento do bem-estar, do primeiro respiro, do contato próximo com a manifestação da realidade. A euforia são as lentes que às vezes colocamos para visualizar a realidade, lentes que distorcem a realidade para mais. Nos tornamos mais sensíveis. Como diz o texto: “É como usar óculos especiais que funcionam como uma lente de aumento, tornando tudo em volta mais brilhante, vivo e intensamente colorido.”

Mergulhando, indo ao fundo de nós mesmos: não há outra alternativa. Por isso a terapia é tão importante, para encontrarmos as causas da nossa doença, ou pelo menos os indícios dela. E a medicação não não deixa sumersos muito tempo, nos resgata das profundezas, nos traz à tona.

E aqui, no mundo real, podemos por à prova a nossa força, o nosso aprendizado. Bipolar já mergulhou tantas vezes, em águas turvas ou límpidas, sabemos que temos garra para viver a vida da forma como ela se apresenta.

2 thoughts on “A analogia do mergulho”

  1. Olá Amanda. Que bom que você gostou e se inspirou com o texto. Você pegou exatamente o espírito do que eu queria passar com essa analogia.
    Seguimos dando nossos mergulhos, mas cada vez com mais consciência do controle que precisamos manter para não permanecer submersos e nem subir desesperadamente.
    Vejo que esse blog é para você, assim como o projeto “Emergir” é para mim, uma maneira de se aprofundar e emergir, como é preciso que façamos.

  2. Oi, Paula, que bom poder falar com a autora desse belo texto! Você escreve muito bem. Nós, bipolares, vamos tonificando nossos músculos, seja como vagalumes, como mergulhadores… Dentre as analogias que podem ser feitas, a sua foi realmente especial.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.