Amanda e sua cobiça

No início, pensei em chamar esse sentimento que nutro de inveja, no entanto, assistindo uma palestra do Professor Leandro Karnal, entendi que o meu sentimento é a cobiça, e não a inveja. Assistam a palestra, vale a pena:

 

 

Vou transcrever um trecho:

“Ao contrário dos outros pecados, a inveja é um pecado envergonhado. Já a cobiça é desejar as coisas dos outros. Cobiça é vontade de ter o que os outros têm. A cobiça pode ser negativa, resultar em outros defeitos como roubo, etc. Mas a cobiça não precisa ser só negativa. Eu posso dizer: ‘Gosto tanto da casa que fulano tem que farei uma igual para mim’. A inveja é sempre negativa. Inveja é a tristeza pela felicidade dos outros. Exultação pela sua adversidade. Aflição pela sua prosperidade. A inveja não se trata da vontade de ter o que o outro tem. Esta é a pura e absoluta cobiça. A inveja é a tristeza pelo que o outro tenha, e isso é completamente diferente.”

Cobiço a felicidade alheia, a vida certinha das pessoas normais. Cobiço a “Família Doriana”. Cobiço a ascensão profissional dos meus colegas de faculdade, que, nem sempre tão brilhantes como eu em sala de aula, hoje ocupam posições de destaque nas organizações em que trabalham.

Eu poderia estar lá também, no auge da minha carreira, mas a doença me impediu. Sou inteligente e criativa, mas não suporto ser liderada por pessoas sem competência; e o clima de competição interna, inerente às empresas, é letal para mim.

Ou peço demissão ou sou demitida. A demissão mais recente foi a mais injusta, pois ocorreu em um momento em que eu estava muito doente.

Tenho uma amiga que tem uma vida aparentemente perfeita. Bonita, marido bonito, filhos lindos, carreiras em ascensão, familiares igualmente felizes e prósperos.

Que vontade, meu Deus do céu, de ter uma vida como essa… Tantas tempestades têm me atingido – umas causadas por mim, outras vindas do horizonte distante e me alcançado em cheio. Por isso acho que nunca consegui me aproximar muito dela, pois ela é perfeita demais. Como uma bipolar pode ter uma amizade íntima com uma pessoa perfeita? É insuportável.

Eu estou longe de ser perfeita. Mal me aguento sobre as minhas próprias pernas. Escondo de todos que tenho compulsão por compras e por comida. A compulsão por comida é mais difícil de esconder, porque a alimentação acontece em grupo. As pessoas (meu marido, minha mãe e meu irmão) se aborrecem comigo, ficam enraivecidas pois estou muito gorda.

Então eu cobiço a vida de quem não tem estes problemas, as pessoas ditas normais, que não têm doenças mentais. Pessoas que vivem placidamente.

Sei que agora não entendo as razões de eu ter essa doença, mas um dia vou ter a clareza da situação, com certeza depois da minha morte. Sei que estou vendo uma parte do filme, não tenho a visão total, não tenho a visão completa, e às vezes me sinto injustiçada.

Sou reencarnacionista, sinto que tenho ainda muitas vidas pela frente. Quando eu era adolescente, eu pensava assim: dessa vez vou fazer tudo certinho. Eu sabia, intuitivamente, que já havia feito coisas erradas em vidas pretéritas, e tinha me preparado para agir bem nessa vida.

Não me saí muito bem. Cometi erros. Perdi muito dinheiro. Perdi pessoas que eu amava. Aos 47 anos, estou novamente renascendo das cinzas, qual fênix rediviva.

Se eu não fizer mais nada de errado a partir de AGORA, será que consigo terminar essa vida com saldo positivo?

6 thoughts on “Amanda e sua cobiça”

  1. Olá..
    Entendi perfeitamente seu sentimento.
    No momento estou escrevendo pouco, qdo eu estiver melhor eu vou trocar idéias e desabafos com vc.
    Esteja bem!

  2. No meu modo de pensar, não existe isso de “se eu não fizer mais nada de errado a partir de AGORA…”
    não tem jeito… principalmente para nós… não tem esse recorte de tempo, a partir de agora… desculpa falar assim.
    Eu vejo isso igual ao ritual do casamento: prometer que vai amar a pessoa para o resto da vida…
    a partir de agora nós precisamos é ter a noção de que o universo nos coloca em situações para aprendermos e evoluirmos por algo passado. Não é punição. É aprendizado! Nós, reencarnacionistas, acreditamos assim, que estamos aqui para um aprendizado. Pelo estilo de vida que temos, mais ou menos, temos uma noção do que fomos e porque estamos aqui.
    Puxa, eu já pisei tanto na bola, tanto… vocês nem imaginam… ainda continuo, mas menos, muito menos.
    E sei que esta minha atitude de renovação íntima tem me ajudado a não entrar em nenhuma das duas fases, no momento poderia dizer que estou monopolar…
    mas arisca, porque um passo em falso, lá vou para o mundo de Yr.

  3. Oi, Dory! Mais do que aprender, eu acho que desta vez eu vim com a missão de ajudar as pessoas. Você deve saber, se leu em meus posts, que voluntariei mais de 20 anos em uma instituição cujo mote é amparar as pessoas, esclarecendo-as sobre a realidade extrafísica. Agora estou impedida de voluntariar, pois fiquei estigmatizada como cleptomaníaca. Não sou cleptomaníaca, mas não tem problema. Não guardo mágoa deles, muito pelo contrário. A minha missão de vida tornou-se este site, que eu vou transformar em livro daqui há algum tempo.
    Muito obrigada pelo seu comentário e obrigada por estar aqui! Bjs, Amanda Montenegro – Codinome Vagalume.

  4. …achei muito interessante o texto, e essa posição do vagalume é mesmo uma ótima analogia do que somos – nós os bipolares-, eu passei por uma situação mais séria, que começou como um surto, mania de perseguição ( a qual eu ainda acho que tenho, um pouco, ou às vezes), por diante diagnosticado bipolar para no final dizerem que tenho esquizofrenia…mas enfim, eu muitas vezes auto me explico…não sei se devemos deixar tudo a cabo da medicina ou psicologia de mestrados, como poderia ser o meu caso. Eu acho que devo ter sorte, ou um certo equilíbrio emocional , que talvez bem forte, porque eu me recuperei fácil- ou ainda posso estar me recuperando- , também já pensei em algo parecido, com relação a reencarnação…e bom, me estenderia mais por aqui, mas faz tempo que eu não leio muita coisa e estou mais dedicado a letras de música no momento, porém prometo ler tudo o que neste site Amanda, eu gostei, e sei que pode me ajudar um pouco, a me abrir e me libertar….vamos transcorrer mais pelo assunto.

    seu amigo (no facebook) Marcos André (jim)

    1. Oi, Marcos André! Minha maior satisfação seria que realmente este site e nossas conversas pudessem ajudar a você e a mim também. Você tem muito autocontrole por se recuperar com facilidade do surto. Quanto à reencarnação, este é o meu princípio, mas estou longe de querer fazer proselitismo sobre isso. Cada um deve ter suas próprias experiências. Muito legal tê-lo por aqui! Abs, Amanda Montenegro – Codinome: Vagalume.

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