Ausência de biomarcador

Quem já teve que passar pelas famigeradas perícias do INSS, que deixam a gente morta de ansiedade para saber se o auxílio-doença será aprovado, sabe do que estou falando.

Penso que uma das maiores conquistas que a medicina pode oferecer a um doente mental é a obtenção de um biomarcador. Biomarcador é um exame que corrobora o diagnóstico do médico.

Quando vamos a uma perícia, temos a nosso favor apenas o laudo do psiquiatra. Às vezes, nem isso. Como comprovar nossa doença, nosso sofrimento?

Já foi divulgada a notícia que o INSS vai convocar para perícias médicas os doentes afastados por mais de dois anos, tanto os aposentados por invalidez quanto os afastados que recebem auxílio-doença. Isso piora muito a nossa estabilidade. Essa ansiedade sobre o nosso futuro é horrível, faz mal demais. Como eu já citei, o bipolar precisa de estabilidade no seu mundo.

Atualmente, há exames de ressonância magnética que demonstram claramente a diferença entre um cérebro saudável (brilhante) e o cérebro com depressão (escuro). Esta foi a imagem que escolhi para ilustrar este post.

Mas, como consta na excelente reportagem sobre bipolaridadae no site http://www.bipolar-lives.com/:

“HOWEVER, IT IS IMPORTANT TO REMEMBER IT IS STILL EARLY DAYS. THE MEDICAL COMMUNITY DOES NOT ACCEPT BRAIN IMAGING AS RELIABLE FOR DIAGNOSIS OF BIPOLAR, ADHD OR OTHER RELATED CONDITIONS.”

De qualquer forma, desconheço alguém que tenha levado um exame desses em uma perícia. Mas, se for pensar, por que não? Vai chegar o dia.

Vejam essa reportagem do portal da Globo, publicada em 05/08/16:

http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/08/inss-regulamenta-exigencia-de-pericia-para-aposentado-por-invalidez.html

Meu psicólogo contou que há pessoas que chegam a se maquiar para ir à perícia, para parecer “com cara de doente”. É uma humilhação ter que passar por algo assim.

Outras doenças crônicas, como a diabetes, têm biomarcadores, e não dependem da avaliação do médico.

No campo do tratamento, sabemos o quanto é difícil o psiquiatra chegar à combinação certa de medicamentos que nos estabilize. Na maioria das vezes, o psiquiatra troca de medicação durante a evolução da doença. O tratamento é feito na base do erro e acerto, essa é que é a verdade.

Mas eu tenho esperança que ainda nesta vida a medicina encontre um biomarcador para as doenças mentais. A prospectiva é boa.

Vejam esta reportagem da Revista Istoé, publicada em 31/07/2013:

http://istoe.com.br/316124_NOVOS+TESTES+PARA+A+DEPRESSAO/

Enquanto isso, torço por todos nós, que teremos que enfrentar as perícias do INSS. Vamos com coragem que tudo dará certo.

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