“A sepultura de carne e a terapia”

Publico mais um excelente texto do meu amigo DaVinci. Dessa vez, ele nos relata como finalmente reconheceu que a terapia psicológica pode ajudar o seu caso de depressão.

O site do DaVinci é o https://sobredepressao.wordpress.com/

VAMOS AO POST…

“A terapia, uma relação de amor e ódio se construiu em mim sobre a eficácia dessa ferramenta. Em parte, por que passei por mais de oito terapeutas diferentes das mais diversas linhas de análise e nenhum deles me trouxe um real alívio ou me fez pensar profundamente no porquê estou com depressão.

A minha tendência era de reduzir tudo a questão do desequilíbrio químico, ou seja, estava mal por que faltava algo no meu cérebro e faltava algo no meu cérebro pro que estava mal. Tinha essa mesma crença com a psiquiatria, já que após um longo trabalho experimental de mais de quinze remédios antidepressivos diferentes, nos quais eu assumia o papel de cobaia, nenhum dos experimentos poderia ser rotulado como bem sucedido. Eu era um experimento falho, um estudo científico sem grandes chances de sucesso, um caso médico sem perspectivas prósperas de melhoras. Seis anos depois afirmo, não poderia estar mais errado, tanto quanto a psiquiatria quanto a psicologia.

Após sofrer (ainda sofro, mas de forma mais leve) de depressão profunda por seis anos, cansei e voltei ao psiquiatra que me receitou doses relativamente baixas de fluoxetina (5mg) e de Haldol (5mg) e Rivotril para me auxiliar a dormir (1,0mg). Como todo depressivo, já iniciei o tratamento acreditando que daria errado, mas após três semanas comecei a me sentir melhor, mais disposto e com reações emocionais proporcionais aos gatilhos externos, eu me tornara novamente um estudo clínico a ser analisado com mais profundidade. Embora a lua de mel dos efeitos positivos da medicação tenham sido ótimos e proveitosos em que tive acesso a emoções que estavam enterradas há muito tempo, os efeitos da lua de mel logo passaram e os sintomas voltaram, porém, de forma muito mais suave.

Admitindo minha própria arrogância em desacreditar a psiquiatria, que durante seis anos não me ajudou em nada, dessa vez a humildade tomou conta de mim por perceber que a medicação de fato estava ajudando. Era hora de levantar as mãos e assumir uma postura de maior humildade frente aos tratamentos disponíveis. Iniciei a terapia.

Estou na quinta sessão com uma terapeuta nova e de fato posso afirmar que sinto melhoras nos níveis de energia, na animação e na possibilidade de enxergar um futuro menos sombrio. Meu corpo, sepultura de carne, enterrado acima do solo, inicia um lento processo de redescoberta de emoções que há muito tempo estava forçosamente escondido. Sair da sepultura, “descavar” seu próprio destino, buscar sentido no que há muito tempo perdeu sentido, são algumas das sensações que tenho acesso novamente e, embora não possa afirmar que essas sensações sejam definitivas ou duradouras, posso afirmar que o simples fato de ter acesso a elas novamente já são motivos suficientes pra dizer com toda e qualquer humildade: eu estava errado, a psicologia pode ajudar.

Há cerca de um ano a luz no fim do túnel era um trem que vinha em velocidade máxima para finalmente acabar com minha dor, minha melancolia. Agora, sentindo-me temporariamente livre da minha sepultura de carne, consigo enxergar a luz do fim do túnel como possibilidades e como um futuro menos sombrio.

E você? Qual sua experiência com terapia?”

 

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