Entrevista da Dra. Doris Moreno à Associação Brasileira de Psiquiatria

Esta é a melhor entrevista que encontrei abordando o transtorno bipolar. É uma entrevista concedida pela Dra. Doris Moreno à ABPTV, a TV da ABP – Associação Brasileira de Psiquiatria, em 25/01/2016.

Destaco três pontos na fala da Dra. Doris:

  1. Ouvimos que o bipolar é uma pessoa que sofre de períodos de euforia, que seriam os denominados períodos de mania, e períodos de depressão. Isso é o mais raro. Isso é o que é falado na mídia em geral. O mais comum é uma mistura de tudo isso.
  2. É fundamental saber que o transtorno bipolar é uma doença sistêmica, ou seja, afeta o corpo como um todo. A origem está no cérebro, mas o transtorno bipolar afeta vários órgãos, dependendo da predisposição de cada paciente.
  3. Filhos de pessoas com transtorno bipolar são considerados prole de risco. Filhos de bipolares não podem ficar sujeitos ao stress, e nesse sentido é importante acudir as mães bipolares, os pais bipolares, que são aqueles que, seja por depressão, não conseguem cuidar de sua prole, abandonam, negligenciam; seja porque ficam extremamente irritáveis e agridem, verbal ou fisicamente. É importante não tratar somente a prole de risco, mas ver outros membros da família afetados. Hoje em dia o conhecimento nos permite dar conta de que é importante não ver só o paciente, mas também outros membros da família que possam estar afetados e encaminhá-los para tratamento e de proteger as crianças desde que nascem, protegendo-as do stress potencialmente ocasionado pelo pai ou pela mãe doentes. E dessa maneira permitir o desenvolvimento mais próximo do saudável possível, protegendo essas crianças em vez de sujeitá-las a um stress extra. Porque elas já nascem com uma vulnerabilidade biologicamente determinada para ter mais stress, para ser mais sensíveis aos eventos da vida. Temos que buscar proteger na verdade a família toda do stress que a própria sintomatologia ocasiona.

E aí eu penso no meu caso. Nasci propensa à bipolaridade, e ao chegar aqui na Terra encontro uma mãe bipolar com episódios de extrema agressividade, física e verbal. Tenho orgulho de mim mesma por ter chegado até aqui, e pelo relacionamento que eu e a minha mãe conseguimos finalmente construir.

Estes pontos da entrevista foram aqueles que, no meu caso, chamaram mais a atenção. Mas a entrevista é ótima, não deixem de assisti-la inteira (apesar dos incômodos comerciais).