“Arranque meu braço e fique com minha depressão”

Depoimento do nosso amigo DaVinci, publicado em seu site https://sobredepressao.wordpress.com/.

DaVinci tem depressão unipolar e todos os dias luta dignamente para conviver com a sua condição. Obrigada, parceiro. E vamos em frente!

 

“Preferiria ter meu braço arrancado sem anestesia do que sofrer dessa doença”. Essa foi a minha resposta quando a minha primeira terapeuta me perguntou como era meu sofrimento em relação a depressão. Talvez um dos pontos mais complexos dessa condição seja o fato dela ser uma doença invisível. A invisibilidade da doença é um dos principais pontos que alimenta sua estigmatização, já que se você não tem uma aparente ferida você não está doente, logo, você é ou preguiçoso ou não consegue lidar com a vida.

Estamos acostumados a julgar se alguém esta bem apenas olhando para seu exterior (o que eu gosto de chamar de casca), mas muitas das vezes as pessoas mais próximas a você estão sofrendo de algum transtorno mental de forma totalmente silenciosa e você não tem a menor ideia do que aquela pessoa está passando, pode ser um familiar, aquele colega de trabalho que se apresenta como extrovertido e até mesmo seu marido/namorado.

O silêncio da pessoa que sofre é um dos pontos pelos quais as pessoas saudáveis acreditam que as doenças mentais são algo extremamente raro e que se restringem a um certo grupo limitadíssimo de pessoas que tem doenças mais severas como a esquizofrenia ou psicose, em parte, por que quando alguém que tem esquizofrenia e não está medicado a doença de fato é mais visível já que o paciente perde totalmente a conexão com sua realidade e apresenta comportamentos que não são aceitos socialmente.

Devido a estigmatização e a falta de informação sobre as doenças mentais como a depressão e o transtorno bipolar muitas pessoas acabam não falando de seus problemas, e aqui não me refiro abrir-se para amigos como se eles fossem psicólogos, mas sim falar com eles que você sofre dessa ou daquela doença mental, assim como alguém que sofre de diabetes fala abertamente sobre sua condição. Manter um segredo como a depressão é muito cansativo e trabalhoso, você se pega inúmeras vezes mentindo para amigos sobre por que não quer ir a um evento – quando na verdade está mal em casa- e acaba criando uma bola de neve que com o tempo pode acabar impactando de forma bastante prejudicial sua relação com amigos e parentes.

Por mais difícil que seja, tenho tentado me abrir para alguns amigos, principalmente com aqueles que perdi laços de amizades quando estava passando por longos períodos de depressão maior, e que me forçaram a explicar pra eles que eu sumi não por que queria, mas por que minha doença não me deixava sair de casa. Acredito que quanto mais me abro pra amigos próximos e pessoas sobre minha depressão menos pesada fica a bagagem da depressão e mais estigma vou desmontando aos poucos.

Precisamos aumentar a conscientização sobre a doença e parar de sofrer em silêncio.”

2 thoughts on ““Arranque meu braço e fique com minha depressão””

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.