“O dia em que virei assassina”

Nossa amiga Dory é portadora de transtorno bipolar e uma mulher muito inteligente, embora seja… assassina…

 

“Lá estava ele me esperando… um quintal para ser organizado. Caixas, sujeira e muita coisa para ir embora. No finalzinho me deparei com aquele ser rastejante. Eu tenho horror, pavor de lagartixa. E esta daquelas pretas, que rebolam… e eu fiquei ali, paralisada. Era ela ou eu. Eu não mato bichos… Eu mandava a bichinha embora, ela não ia, ficava circulando… eu comecei a suar frio, o coração disparou. Não sei quanto tempo eu fiquei ali parada, com os olhos fechados, o coração saltando pela boca, o suor escorrendo pela testa. Quando eu finalmente abri os olhos, ela estava no mesmo lugar, me olhando. Fechei os olhos novamente e gritando meu Deus, meu Deus, e entre choros e lágrimas fui golpeando a infeliz, em vassouradas cegas. Até que cansada, olhei novamente e estava aquela geleca no chão, curiosa e instantaneamente sendo devorada por formigas vorazes e velozes. Tremendo, fui lá dentro e peguei o spray de insetos. Fui matando aquela fileira de formigas. Quando terminei, meu coração batia forte. Sentia-me a mais culpada das pessoas. Elas não saem da minha cabeça agora, e eu penso na pirâmide viva…. na escala das pessoas… quem pode mais… quem manda mais… Nesse tempo, minha mãe abre a janela e me diz: a Dilma caiu. Sinto um murro na boca do estômago. Tomo um banho e vou me deitar. Pesadelos. Minha cabeça dói. Lá estou eu novamente, numa crise de pânico.”

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