“SEXO: Essa porra não sai”

Este é um texto interessantíssimo do nosso autor convidado Bruno Deprê.

O blog dele é muito legal, visitem: https://sobrenomeansiedade.wordpress.com/

 

 

“Dor de cabeça? Sudorese? Ansiedade? Tremedeira? Não, esses não são os piores; o efeito colateral que o pessoal mais reclama é aquele que afeta a vida sexual. E não pense que é apenas aquela diminuição do desejo, da vontade (a falta de libido), há problemas que causam uma frustração maior ainda, como a ejaculação retardada (ou precoce), e nas mulheres a temível secura, mesmo com estimulação. Ah, esse post não tem a intensão de ser pornográfico.

Imagina a cena, você está lá vendo TV e seu(sua) parceiro(a) chega com aquele jeitinho, passa a mão, fala umas coisinhas e você no auge da apatia não consegue tirar os olhos da telinha. Ou pior, você entra no clima, a temperatura começa a subir, as roupas também sobem…mas e o parceiro la embaixo?? Continua “pra baixo”. Essa é uma situação bem comum entre aqueles que fazem uso de medicação para tratar problemas de origem psiquiátrica como anti depressivos. O remédio que eu tomo – Escitalopram – tem um efeito devastador na libido, principalmente a feminina, mas felizmente, é temporário.

Além da diminuição da libido, eu costumo listar outros dois problemas, um de ordem física e outro de ordem social. O primeiro, de ordem física, eu classifico como a dificuldade em manter a atividade sexual. A libido não diminui e você até pode ter uma bela ereção, ou estar com uma excelente lubrificação, mas não chega nos “finalmentes”. Em outras palavras, não há ejaculação, nem orgasmo, nem prazer; só aquele entra e sai constante. Chega um momento que dói, para as mulheres deve ser a sensação de que esta passando um ralador la dentro (como disseram algumas mulheres com quem conversei sobre o tema). E não adianta tentar de novo, não adianta correr para masturbação, não adianta trocar de parceiro (a)…..vai ser, novamente, aquela frustração de ter que parar sem terminar.

O(a) parceiro(a) já teve todas as sensações possíveis, está com a musculatura relaxada e você lá….Tentando !!! É horrível a sensação. Quando tive isso chegava a pensar que poderia ficar com esse efeito permanentemente, como se fosse uma sequela do tratamento. Essa sensação gerava mais desconforto, mais tristeza, mais depressão, e consequentemente precisava de mais remédio, e de novo essa “porra” não saia.

O problema de ordem social, que citei anteriormente, refere-se a necessidade de dar prazer ao parceiro(a). Você sabe que não vai conseguir chegar ao final, não vai conseguir fazer nada além de todo aquele movimento. A pessoa vem com jeitinho, querendo sexo e você tem duas saídas: diz não e os dois ficam vendo TV, ou dar prazer a outra pessoa. Para um homem, tendo em vista o comportamento machista que todos nos temos, somos psicologicamente (e moralmente) induzidos e escolher a segunda opção. Sabendo que não vai conseguir ter um orgasmo, no mínimo será capaz de dar prazer a outra pessoa. Para as mulheres acredito que a primeira opção pode ser a mais confortável, porém, muitas são induzidas (porque não dizer, forçadas) a dar prazer para o parceiro. (Sexo contra a vontade do outro é crime!!!)

E ai vem o problema, tudo isso gera a “obrigação”, que ao final gera a culpa. Culpa por não ser capaz de ter prazer, apenas de dar prazer. Culpa por deixar ser usado(a). Culpa por estar com depressão, e ser culpado(a) por toda essa situação desagradável. Culpa por ter que se submeter a uma situação que inicialmente não queria, mas teve que continuar. O NECESSÁRIO nessas horas é que o(a) parceira saiba exatamente o que se passa, os problemas, os efeitos da medicação, a própria doença. É importante que ele ou ela participe do tratamento, vá ao médico junto quando possível, ajude com a medicação e saiba o que pode acontecer antes, durante e depois do tratamento. Isso certamente vai fortalecer a relação

O que posso dizer sobre isso?

Sexo é muito bom, contudo melhor ainda …é o diálogo.

 

AUTOR: Bruno Deprê – Blog: https://sobrenomeansiedade.wordpress.com/

Muito obrigada por disponibilizar seu texto para o nosso site, Bruno!

5 thoughts on ““SEXO: Essa porra não sai””

  1. Adorei o post..
    Muito bom saber a visão do homem com anti depressivos. .
    Escreva mais pra gente Bruno..
    A paciência nessas horas é fundamental. .e o Amor entende tudo isso..

  2. SOU BIPOLAR A 17 ANOS E NESSES 17 ANOS TOMO E TOMEI VÁRIOS REMÉDIOS ATUALMENTE TOMO 9 AO DIA, E REALMENTE ESSES REMÉD9OS AFWTAM A SEXYSUALIDADW, O MEDICO ME RECEITA PARa mwlhorar esaa situaçao qye constranghw e complicADO FALW C0M MEDIC0

  3. Bruno, obrigada por sua sensibilidade. Fiquei casada durante 27 anos. Perdi a conta das vezes que “fiz sexo” forçada, sem querer e sem o menor tesão. Perdi a conta das vezes que chorei sozinha porque permitia isso acontecer.
    Nunca mais.
    Nunca mais.
    Escreva-nos mais. Por favor.

    Abraço
    Dory

  4. Querida Amanda,
    Muito obrigado pela oportunidade de expandir um pouquinho do meu mundo em seu blog. Fico feliz em poder atingir novos públicos e ver que as pessoas de certo modo visualização um pouco de si mesmas nas situações que publico. Falar de sexo, principalmente os “problemas do sexo” é um grande tabu na nossa sociedade, mas é um assunto que tem uma necessidade de ser debatido por levar consigo outros temas importantes para o nosso convívio. Mais uma vez, muito obrigado.
    Ane, Geusefan e Dory: Muito obrigado pelos comentários, e citações, certamente isso me estimulará a escrever mais e mais, continuem visitando o Blog Codinome Vagalume da nossa querida amida Amanda. e Também deem uma passadinha no meu.

    Abraços a todos.

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