Boneca de madeira

PARTE  1

Tenho estado afastada do meu site porque ando mais prá lá do que prá cá… Quer dizer, ando deprimida. Sim, eu mesma, tão orgulhosa da minha estabilidade.

Tudo começou com um travamento muscular: espinha dorsal, braços e pernas. Virei uma dolorida boneca de madeira. Logo vinculei este sintoma ao transtorno bipolar, por duas razões: quando estava mais doente, senti este travamento; e, depois, encontrei uma referência bibliográfica sobre isso. Vejam só: uma única referência bibliográfica, de tudo que eu já estudei sobre a minha doença. O post em que cito este texto chama-se “O que é a depressão”.

Este travamento é bastante dolorido. Se deito, não consigo levantar. Para me movimentar na cama, dói demais as costas e o quadril. É estranho. Procuramos (eu e meu marido) a psiquiatra dele, mas ela não pôde atender pois estava saindo de férias. Fez uma consulta por telefone, e por fim retirou dois remédios, dos cinco que eu tomava. Eu fui melhorando aos poucos. Naquele momento, o meu ânimo não estava ruim, estava apenas sofrendo fisicamente. Mas depois de um tempo desmoronei, fiquei de cama uns dois dias, deprimida.

Como saber a origem dessa depressão? Será que era a etapa posterior ao travamento? Ou era causada pela retirada dos dois medicamentos? Aos poucos, fui melhorando.

Então neste domingo (20/11/16) minha mãe foi agressiva comigo, por conta da minha obesidade. Mais dois dias de cama. Um tempinho até eu descobrir a causa. Ao me ver naquela situação, meu marido e minha mãe ficaram muito preocupados e saíram marcando consultas com vários médicos. Uma confusão.

Já conversei com o meu marido e ele entendeu perfeitamente o que vou fazer de agora em diante. Falta conversar com a minha mãe. Vou explicar para ela porque fiquei doente. Sem brigar, só conversar.

Vou contar a ela o desfecho da história: vou mudar de médico no SUS. Meu psicólogo, que também é do SUS e é o melhor que já me atendeu, recomendou um outro psiquiatra, e já marcou a consulta com ele. Minha mãe queria me levar no médico particular, pagar consulta caríssima. Não vou aceitar. O médico do SUS fica aqui, perto da minha casa. Não pago a consulta e nem os medicamentos. É muito melhor do que ficar gastando rios de dinheiro da minha mãe, depois me sentir inferiorizada e devedora – mesmo que ela diga que é um presente, as cobranças não demorariam, com certeza.

 

PARTE 2

Conversei com a minha mãe. Sem nenhuma espécie de agressividade. Em troco, ela também não foi agressiva comigo, conversamos sem animosidades.

Não se pôs contra a maneira como vou me tratar agora. Disse que está tudo bem.

 

PARTE 3

Muitas obras de arte já foram atribuídas à depressão. Existem listas de artistas e intelectuais que produziram grandes obras e eram depressivos ou bipolares. De fato, há pessoas que conseguem produzir lindezas de sua melancolia.

Eu, definitivamente, não sou uma destas pessoas. Durante a depressão, fico absolutamente inerte, abatida, apática, prostrada. Não produzo nada, não me vinculo a nada, não presto atenção à nada.

Nada me tira da inércia. Fico de cama. Ei, vamos à Disneylandia? Não, obrigada, vou ficar mesmo aqui deitada, por favor feche a porta do meu quarto quando sair. Não falo com ninguém, e por gentileza, ninguém fale comigo. Não tenho nada a dizer, estou vazia, oca. Quero ficar sozinha e deixar meus pensamentos vagarem por onde lhes aprouver. Não são pensamentos de rancor, são pensamentos de tristeza. Esta é a cara da minha depressão.

 

 

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