“Ser feliz é tudo que se quer”

“Eu estava simplesmente horrorosa…

Engordando, por causa dos medicamentos que a psiquiatra nova trocou e que me faz comer até os pés das mesas…

E numa daquelas passadas rápidas pelo espelho, vi que não teria jeito. Meu cabelo estava uma coisa louca de feio, parecendo um girassol.

No fim de semana passado, durante um jantar, alguém falou: mas você é tão bonita e precisa se cuidar mais… pronto… gatilho…

Promessas de ano novo… sempre… mudar…

Ixi! Lembrei de uma música aqui, super velha que vai dizer minha idade. Cantora Vanusa, uma música assim: hoje eu vou mudar, retirar traças e teias, angústias de minha mente, abrir as gavetas do armário… não necessariamente nesta ordem. Mas ontem… ontem, eu abri um monte de gavetas… e atitudes antecipadas…

New look! Cortei o cabelo curtinho. Não estou parecendo homem, mas estou bem fashion… Hoje fui ao shopping comprar um batom novo, super vermelho e um delineador. Agora quero usar aquele rabinho de gatinho nos olhos, como uma pin-up….

O espírito natalino já está aqui!

Enchendo a casa de cheiros, de sentimentos gostosos e edificantes.

Vontade de fazer uma feirinha no quarto vermelho do artista plástico Cildo Meireles, que tem no museu Inhotim, tudo vermelho. Amo vermelho!

De algum modo, internamente, temos que reagir e seguirmos sempre, mesmo com todas as adversidades.  É a nossa meta. Passarmos por aqui da melhor maneira possível!

Estou me sentindo feliz, mesmo com tudo que me assola, inclusive a política, e isto me afeta muito, pois sou funcionária pública federal.  Este sim, é o espírito do Natal. Ser feliz com tudo que se tem.

Fui catar feijão hoje e me lembrei do meu irmão. Ele tem problema de cabeça. Minha mãe nunca nos disse o que ele tem. Ele parece normal, até abrir a boca. Tem 64 anos e mentalidade de 12. Me deu vontade de ligar pra ele. Por que não?  Liguei, ele atendeu e eu disse: “Estou com saudades de você! Fui catar feijão e me lembrei de ti, aí sentado na cozinha.”

E o papo rolou solto.  Ele viajou nas folhinhas de calendários da gráfica em que trabalha quando quer, nos carros que vai comprar, nas namoradas.  É o mundo dele. E para mim, valeu a pena.

Eu fui arrumar a minha cama com um conjunto indiano bordado à mão, vermelho, lindo, e arrumo camas lindas com almofadas, e me lembrei da ex-sogra. De certa forma, ela me valorizava em minhas habilidades e esperava ansiosa que eu arrumasse a casa dela para o Natal. Eu fazia tudo do mais lindo e melhor. A casa dela ficava linda, linda. Eu me orgulhava disso, porque ela me elogiava demais. Apenas por isto. Talvez ligasse. Melhor não. Não liguei.

Fui fazer o almoço, e me lembrei da mamis. Liguei pra ela. Disse o quanto eu queria que ela estivesse aqui comigo. Fizemos planos para o Natal. Ela vai me esperar para compras de supermercado e coisinhas.

E me lembrei de mim mesma, escondida aqui dentro, tentando me sentir em meu pedaço, em meu lugar. Olhei no espelho e vi uma Dory mais esperançosa, mais amada. E olha que eu não bebi nada. Ou é reflexo da cerveja de ontem que eu bebi sozinha, no bar da minha cozinha. De qualquer forma, o espírito verdadeiro do Natal chegou aqui dentro do meu coração.  E eu gostava disso, dos chazinhos para mostrar minha árvore gigante, linda pra todos, de planejar o Natal, o amigo secreto, os cardápios, os meus sobrinhos, a minha família,  mamis,  papis, meu ex-marido, minhas duas filhas…

E procurando por enfeites de Natal guardados, achei tantas coisas, esquecidas em tantas mudanças… Em 34 anos, já me mudei 32 vezes… E cada coisa, cada foto, cada pedaço de qualquer coisa me trouxe tantas lembranças, e eu senti muita falta de muita coisa, senti falta de mim… E senti tanta falta das minhas filhas.

E prometi a mim mesma que não vou dar mais trabalho, não vou trazer mais problemas, afinal elas estão seguindo o rumo delas, cada uma com seu amor.

E eu preciso seguir o meu rumo, mesmo que irremediavelmente sozinha.

Eu tinha outros planos… o Canadá, um amor, uma história linda.

E o domingo passou e eu espero que a segunda continue com os cheiros gostosos de canela, de cravo, de licor, de chocolate, de frutas cristalizadas, de coisas boas e de coragem.

Coragem para seguir, pelo menos até o ano novo, que é outra batalha.

Novos tempos. Mas sentindo-me feliz. É o que importa.

Tirando leite de pedras.

Dory”

2 thoughts on ““Ser feliz é tudo que se quer””

  1. Você é uma fofa, escreve super bem…
    Acaba por retomar alguns sentimentos que cismam de aparecer nessa época.
    Deu uma sensação gostosa de nostalgia, mas sem pesar. Só saudade mesmo.
    Boas festas de final de ano.
    Beijinhos

    1. Obrigada Natália. Amanda me diz que consigo tirar beleza dentro da minha tristeza. Eu gosto de escrever. É a maneira que eu tenho de me expressar. Hoje eu fiz um arranjo de Natal lindo. Fiz uma bicicleta de metal onde um bonequinho da neve pega carona na garupa. Não tem Papai Noel nela, mas tem a vontade do que você falou, nostalgia sem peso. E eu queria passar um Natal sem choro nem vela. Feliz Natal querida. Obrigada de novo.

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