Passagens

As costas doem. O que será de mim aos 50 anos? Travada? É uma dor crua, pesada, em cada movimento lá está ela, concentrada nas costas e no quadril. A idade chega correndo e eu não faço nada para esperá-la.

Minha mãe me deu de presente uma consulta com a melhor dermatologista da região. Preço: 450 reais. Fiz o tratamento e a pele do meu rosto está uma seda, linda de ver e tocar. Mas empaquei na segunda parte do tratamento, me pareceu muito trabalhoso. Isso é o que dá ter vivido mais vidas como homem. Até um ponto eu vou, depois empaco que nem mula. Eu sou mula?

Fiquei muito triste com a morte da Raebe, não sei bem o que aconteceu comigo. Depois, a descoberta das minhas dívidas. Desmascarada. Aquela pessoa que já teve muito dinheiro e dilapidou a sua fortuna. Não há saída. Sou pobre de novo.

Estou amarrada a um homem bom, mas que não faz sexo. Quero ficar com ele? Cada vez mais velho, 70 anos. Um amor. Me ajuda, me ampara. Mas não me come. Ficou tão bravo quando descobriu as minhas dívidas… Aproveitei a oportunidade e falei: “Me larga”. “Vou fingir que não ouvi”, disse.

“Você gosta de mim?” “Se não gostasse aproveitaria a deixa e sumiria da sua vida.” Faz sentido.

O que eu quero? De verdade? O meu amigo virtual. A gente se paquera pela internet. Queria sentir a força daqueles braços em meu corpo. Sentir o cheiro desse homem. A vida virtual é tão melhor que a realidade… Posso idealizar o que eu quiser. E uma mulher não comida idealiza demais, demais.

Estou dolorida e interditada. Não posso dar um passo sem que os outros saibam. Meu marido faz-se de motorista, porque estou sem condições de dirigir nada, nem a minha própria vida. Tiraram-me os meus cartões e na minha carteira não tem dinheiro algum.

Quem sabe é a maneira de eu sair desta emboscada que são as compras compulsivas. Falei que ia fazer um bazar com as coisas que não uso. Tenho muitas coisas. Roupas, óculos, chapéus, sapatos, bijuterias, enfeites para a casa. Poderia fazer um bazar muito chique. Mas jamais me desfarei de minhas coisas. Em suma, menti sobre o bazar. Bem, talvez eu venda algumas coisas. Veremos.

Acabei de tomar um copo grande de leite com achocolatado. Na hora, uma delícia. Logo em seguida, náusea. Meu corpo não digere a lactose. Mas não vou deixar de fazer as coisas gostosas. Essa sou eu. Sim, uma mula empacada. Quero uma coisa, não sossego até conseguir. E sempre consigo. Bipolar é caso sério.

Vai demorar, mas vou sair desta enrascada. Querem vender meu carro? Pois que vendam. Não vou me opor a isso. A camionete do meu marido é suficiente.

Além disso, tenho o meu site que me liberta. E a assistência que faço em dois centros espíritas. Isso também me liberta.

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