Só isso?

Quando eu estava no meu último emprego, casada com o quinto marido, tudo parecia estável. Eu, que vinha de uma vida de tantas turbulências, tantas mudanças, tantos percalços, estava admirada e sentia um estranho desconforto. “Mas vai ser só isso?” – eu pensava. Nada mais vai acontecer? Vou ficar neste emprego até me aposentar e ficar casada com este marido até morrer?

Essa possibilidade não me pacificava, ao contrário, me preocupava. Uma existência tão atribulada para terminar assim? Eu me sentia morrendo na praia.

Mal sabia eu o que o destino preparava para mim. Acredito que nossa vida seja formada por uma parte determinada (destino) e uma parte de livre-arbítrio. Pois bem, o destino e eu mesma transformamos o meu caminho de uma maneira que eu jamais poderia imaginar.

Fui demitida, fui presa, meu casamento acabou, fui internada, vendi minha casa, dilapidei meu dinheiro, voltei a morar na minha cidadezinha com a minha mãe, conheci os três psicopatas da internet, fui aposentada, aluguei minha casinha, casei com o sexto marido, fiz este site. É ou não é uma vida digna de uma bipolar?

Acostumada com mudanças drásticas, a rotina não me atrai. Preciso viver experiências, aprender, conhecer pessoas, errar, tentar de novo até acertar.

Agora meus desafios são: pagar minhas dívidas, viver bem com a minha mãe, viver bem com o meu marido, cuidar da parte espiritual, cuidar da saúde pois a bipolaridade ainda não está estabilizada. Felizmente estou aposentada por invalidez e não vou mais precisar trabalhar.

Tive onze empregos. Em algum momento, sempre acontecia de eu adoecer, me rebelar, bater de frente com o chefe, ser demitida ou pedir demissão. Não consigo trabalhar em uma empresa, a verdade é essa. Pelo meu temperamento e pela minha doença, eu deveria ter escolhido uma profissão autônoma. Psicóloga era o que eu deveria ter sido, pois tenho empatia pelas pessoas. E quando não estivesse bem, durante as crises da minha doença, era só desmarcar os atendimentos. Não teria chefe. Não consigo ter chefe.

No ensino médio, eu sempre pensei em ser psicóloga. Porém os sérios conflitos com a minha mãe me fizeram mudar de ideia e escolher uma profissão em que eu pudesse ganhar dinheiro rápido e sair da dependência dela. Errei feio.

Eu poderia ter escolhido qualquer profissão e qualquer faculdade. Eu passaria no vestibular, pois sempre fui inteligente e estudei em ótimos colégios. A estrada estava diante de mim. Mas eu fiz a opção errada.

Tenho um bocado de vida pela frente. Preciso ficar bem para poder ajudar as pessoas, pois eu acredito que este é o sentido maior da existência.

E, como eu acredito em múltiplas vidas, penso que se fizer tudo certo no tempo que me resta, ou seja, me superar, na próxima vida vou nascer em melhores condições. Sem a bipolaridade ou com a bipolaridade amenizada. É nisso que eu acredito.

2 thoughts on “Só isso?”

  1. Querida Amanda,
    adoro tuas histórias. Você é um espelho para mim, cada caso eu penso no que já passei, e tenho suas estratégias como norte para tentar… quem sabe dá certo?
    Item por item, tenho vencido muitas barreiras, que a minha estabilidade a poder de remédios e terapias vem colaborando.
    No momento, fiquei “compromissada” com o meu psicopata da internet, que de psicopata não tem nada, pelo contrário, a família dele é quem é.
    Espero superar o tempo, espero superar todos os obstáculos que têm se colocado à minha frente.
    Mês passado eu consegui importantes conquistas.
    Consegui pagar grandes dívidas e ficar apenas com uma dívida suspensa no SPS que espero que breve retirá-la para recuperar meu nome e não precisar de minhas filhas ou irmã para me ajudar na hora de compras que exijam cartões.
    Por falar em compras, está aí uma coisa que penso que estou superando. Estou no Canadá, longa história, onde vim conhecer meu “psicopata”, meu lindo, meu fofíssimo. Ele é mais do que eu esperava. Trocamos alianças de compromisso, e ele me prometeu de vir ao Brasil, em maio do ano que vem, quando aposentar. Grande investimento, que tirei de meu bolso, sem precisar de ninguém. Literalmente, paguei para ver. Conversamos todos os dias, e sinto cada vez mais a solidez de um relacionamento, mesmo que à distância. Este encontro era importante, esperado e amado.

    Mil coisas para se comprar por aqui, e cada uma que eu pegava, eu dizia: eu preciso, eu tenho dinheiro, eu posso pagar? e a coisa voltava para a prateleira porque a primeira pergunta sempre era não, ou então, no Brasil está mais barato ou eu não dava conta de carregar… comprei para mim dois esmaltes maravilhosos, mais nada, apenas umas xícaras de presente para mamis, irmã e orientadora.

    E por falar em orientadora, março prometeu! Consegui depositar minha tese para qualificar, e minha banca está marcada para o dia 26 de abril. Eu pensava que não iria dar conta, e consegui escrever belas 237 páginas.

    Também fiz uma entrevista na Emily Carr University of Art and Design em Vancouver e gostei muito dos resultados. Tudo em inglês, que eu nunca falava e que aprendi com o meu psicopata, que a partir de agora batizaremos de “lovepata”.

    E assim, percebo que os três primeiros meses do ano de 2017 começaram difíceis, trabalhosos, mas a depressão passou longe, não por falta de motivos, mas por encher a minha cabeça de trabalhos e compromissos e trabalhos voluntários. Não esquecendo dos medicamentos e terapias. Será que o caminho é este? Ah, lembrando do tratamento intensivo que tenho feito no centro espírita.

    Espero, querida, de coração, que todos os nossos amigos neste site maravilhoso consigam superar-se a si mesmos.
    Beijos
    Dory

    1. Muito feliz por você e seu “lovepata”! Você vai ser feliz, Querida, pois é amorosa, generosa, otimista, assistencial. Difícil encontrar alguém tão especial como você, e eu fico agradecida ao Universo por tê-la como Amiga. Este site é maravilhoso sim, mas não por mim, e sim pelas pessoas maravilhosas como você. Com amor, Amanda.

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