Solitário

Texto de Dory, belo e sincero, sobre a sua experiência com a solidão em outro país.

 

A gente sente solidão, solidão do outro, do lugar, das pessoas. Hoje eu sinto solidão de mim mesma, me procurando…

Estou em Toronto, no Canadá, apenas eu, contra tudo e contra todos, enfrentando um desafio, de viajar sozinha, num país que não conheço, não falo a língua. Fui encontrar em Vancouver, quem eu pensava ser o grande amor da minha vida.

E era, e é. Separados por um destino cruel, assunto para outro artigo, tentamos vencer as barreiras, e encontrar janelas para manter essa chama.

Pois bem, parei por aqui, para dar uma passeada e uma relaxada, afinal tem muito tempo que não tiro umas férias, e me ferrei.

Fui passear num local indicado, e tive que me retirar de lá, porque senti um enjoo, um mal estar. Eu estava sozinha… Nunca senti uma solidão destas. Estava sozinha de mim, por uns instantes, não consegui me enxergar, não consegui estabelecer uma conexão comigo mesma, era como se eu ocupasse outro corpo desconhecido. Eu precisava me sentir em segurança, comigo mesma, e não consegui sentir. Sentei-me nalgum lugar e olhando para o alto, eu me procurei, pelo menos pelo meu cheiro, para me guiar.

Não era tristeza o que eu sentia, era falta de mim, do espaço que ocupo, do meu corpo. Dois graus. O frio, o vento gelado e um pouco de neve me transportaram para algum lugar, onde eu não era nada.

E vi que, longe de ser uma tristeza mesmo, era medo. Pânico. Medo de enfrentar o simples fato de arrumar a mala para voltar, medo de enfrentar o telefone e pedir um taxi, medo de pegar o trem e chegar ao aeroporto, medo das perguntas usuais… Eu sentia falta do espaço cômodo que eu ocupo em minha vida, não o espaço físico, mas o espaço mental.

Eu preciso sobreviver mais 29 horas.

Eu preciso sobreviver mais 39 horas.

Eu preciso sobreviver mais 49 horas.

Eu preciso sobreviver mais toda a minha vida e me enfrentar, enfrentar a minha coragem, a minha determinação.

Eu preciso vencer o mundo.

Eu preciso me vencer…

Vencer este algo, que eu tenho certeza não ser meu, eu não sou um diagnóstico.

E aqui não é lugar para esta suposta doença me arrebentar.

Cai a tarde. Cai um pano, cai um véu.

Preciso ir embora, preciso me encontrar.

4 thoughts on “Solitário”

  1. minha amiga a Euforia pra mim e uma alegria imensa não lembro da doença
    seria tão bom se esta euforia fosse pra vida toda não tem dor não tem
    sofrimento não tem lágrimas de depressão não tem vontade de se matar
    de sumir pegar uma estrada sem parar nunca pensei que uma doença dessa
    fosse acabar com a minha vida mas Deus e bom quando entra essa euforia
    da pra gente ser feliz mas tem que dar continuidade na vida não temos
    como parar o que me ajuda e o meu psiquiatra e o meu psicólogo eu tenho
    ele no meu face ele e psicólogo e terapeuta Kleber de Almeida ele e do
    CAPS fiz um ano de emoções com ele sempre agradeço a minha vida
    pra ele um grande psicólogo e terapeuta beijos Amanda amo muito você
    obrigado por tudo meu anjo da guarda que DEUS TE ABENÇOE MUITO

  2. Eu tenho medo da euforia. Ela me dá uma alegria imensa, mas no fundo, me dá um medo terrível, por causa das consequências. Eu creio que eu sou uma polícia, que toma conta de mim o tempo todo, para não pisar na bola, afinal, tenho um emprego público, minha figura é visada, e ninguém da minha família sabe do meu transtorno. O meu orgulho não me permite surtar.
    Creio que a Maria Regina me dá uma luz falando da alegria da euforia. Eu já senti, mas eu tenho medo. Queria apenas estar feliz. Eu sou muitas vezes, mas dentro do policiamento.
    Será que isto é vida?

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