Aposentada

Aposentada, custa-me preencher o tempo. A coisa mais importante que faço é escrever para este site e conversar com meus dois amigos virtuais – que conheci por meio do site.

As pessoas dizem para eu fazer ginástica, mas eu não tenho ânimo. Minha mãe se propôs a pagar academia para mim, mas eu recusei. Não tenho energia.

Há 15 anos, eu era corredora de rua, magrinha, linda. Agarrei-me à corrida para não ser vencida pela depressão.

Hoje, não estou propriamente deprimida, pois tomo meus remédios, mas a minha vida é vazia. Minha psiquiatra falou que minha vida é “limitada”. Ela tem razão.

Quando meu marido esteve doente, com surtos psicóticos, era muito custoso cuidar dele. Tarefa dificílima. Agora ele está bem, não preciso mais me preocupar.

A minha saúde mental também vai bem, mas estou com esse mal-estar estomacal que não me deixa. Já fiz o tratamento para gastrite aguda, não melhorei. Recomendaram-me na farmácia Estomazil com Epocler e mais um outro remédio que não sei o nome, tomados todos juntos diluídos em meio copo d´água. Ajuda um pouco.

Como dar sentido à vida? Talvez eu esteja negligenciando a parte espiritual. Talvez, não. Certeza.

Já vivenciei experiências espirituais relevantes quando me dediquei ao parapsiquismo. Sem dedicação, não há experimentação.

Uma das coisas que fizeram com que eu deixasse o grande amor da minha vida foi que ele dizia que eu era preguiçosa. Sou mesmo. Mas já trabalhei muito, uma workaholic, quando atuava em grandes empresas. Então, sou ou não sou preguiçosa? Difícil responder com a sombra da depressão rondando.

É muito, muito difícil trabalhar deprimida. Um esforço enorme para dar conta das tarefas e outro esforço enorme para esconder das pessoas.

Em uma ocasião, eu estava dispendendo tanta energia para trabalhar que esperava com aflição a chegada do fim de semana para descansar. E, em um destes fins de semana, o meu marido número cinco iria receber um grupo de amigos em nossa casa. Não dei conta. Não tinha energia para ser anfitriã. Fui para um hotel, e ele inventou a desculpa que eu tinha viajado a trabalho. Ele ficou muito bravo comigo e este episódio adiantou a nossa separação. Ele, apesar de depressivo, não soube me compreender.

Por isso eu digo que o meu marido número seis (o atual) é o melhor marido que já tive. Passou a ser o melhor marido, desde que controlou os surtos psicóticos. Ele é carinhoso, compreensivo, companheiro, confiável, cuida de mim, faz as minhas vontades, me mima. Sou uma mulher sortuda. Bem, temos problemas no aspecto sexual. Ele vai fazer 70 anos, sua libido logicamente decresceu com a idade, e além disso ele não tem muita experiência sexual, já que ficou casado com a mesma mulher 40 anos. Não é um bom amante. Será que dá para relevar?

2 thoughts on “Aposentada”

  1. Querida Amanda

    acabei de ver uma entrevista agora no Saia Justa, que o psiquiatra diz assim: NUNCA diga a um deprimido ou a alguém triste, com dor, ou doente, que levante, que faça ioga, pratique um esporte, que pinte e borde. Não pedimos a alguém que está com a perna quebrada que levante e vá correr numa maratona. A pessoa se sente impotente.

    Portanto Amanda querida, manda ver! Se joga, faz aquilo que a sua cabeça ou melhor, o coração pedir.
    Como sou muito rebelde, minha característica é ir contra a maré. Então, eu vou contra tudo e contra todos. Forço a barra mesmo!

    Quanto ao marido, se ele é um bom companheiro, carinhoso, releva, temos tantas alternativas para sermos felizes e de boa, sexo não é tudo. Um dia eu conto minha história…

    beijo com carinho

    1. Querida Dory, nós duas somos muito rebeldes! Sempre sigo o meu coração, embora ele às vezes me leve a caminhos espinhosos. Mas eu pago o preço, pois procuro o que é mais verdadeiro. Beijo e abraço, Amanda.

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