A Escala Breve de Funcionamento (FAST) é um instrumento desenvolvido para avaliar o comprometimento funcional em pacientes psiquiátricos, abrangendo diversas áreas da vida. Trata-se de uma escala de aplicação simples e rápida, que avalia as dificuldades do paciente em domínios como autonomia, funcionamento ocupacional, cognição, finanças, relações interpessoais e lazer.
A aplicação da FAST é realizada por um entrevistador treinado por meio de uma entrevista com o paciente sobre suas dificuldades nos últimos 15 dias. O escore total e os escores por domínio são obtidos pela soma dos itens, e quanto maior a pontuação, maior o prejuízo funcional.
Escala FAST
Instruções de Avaliação
Período avaliado: Últimos 15 dias
Escala: 0 = Nenhuma dificuldade | 1 = Pouca dificuldade | 2 = Moderada dificuldade | 3 = Muita dificuldade
Importante: Avalie comparando com pessoas do mesmo sexo, idade e nível sociocultural.
Fundamentos e objetivo
A Functioning Assessment Short Test (FAST) é uma escala de heteroavaliação projetada especificamente para medir o prejuízo funcional em pacientes com transtornos mentais, com destaque para o transtorno bipolar. Diferente de escalas focadas apenas em sintomas, a FAST oferece uma visão abrangente das dificuldades que o paciente enfrenta em áreas essenciais da vida, mesmo em períodos de eutimia.
Desenvolvida como uma ferramenta breve e de fácil aplicação, ela se tornou um instrumento valioso tanto na prática clínica quanto em pesquisa para quantificar o impacto da doença no dia a dia do paciente.
Estrutura e domínios avaliados
A FAST é composta por 24 itens, cada um avaliado em uma escala Likert de 4 pontos (0 a 3), onde pontuações mais altas indicam maior prejuízo. A pontuação total pode variar de 0 a 72. Os itens são agrupados em seis domínios específicos de funcionamento:
- Autonomia (4 itens): Avalia a capacidade do indivíduo de viver de forma independente, tomar decisões e cuidar de si mesmo.
- Funcionamento Ocupacional (4 itens): Mede o desempenho no trabalho ou nos estudos, incluindo eficiência, pontualidade e a capacidade de manter o emprego ou a atividade acadêmica.
- Funcionamento Cognitivo (5 itens): Investiga dificuldades de concentração, memória, organização e resolução de problemas.
- Funcionamento Financeiro (3 itens): Avalia a capacidade de gerenciar as próprias finanças de forma autônoma e responsável.
- Relações Interpessoais (4 itens): Examina a qualidade e a estabilidade dos relacionamentos com família, amigos e parceiros(as).
- Lazer (4 itens): Mede a capacidade de se engajar e desfrutar de atividades de lazer e hobbies.
Administração e pontuação
A FAST deve ser aplicada por um clínico treinado por meio de uma entrevista semiestruturada, com duração aproximada de 10 a 15 minutos. As perguntas devem ser feitas de forma aberta, buscando exemplos concretos do funcionamento do paciente no últimos 15 dias.
Cada um dos 24 itens é pontuado da seguinte forma:
- 0: Nenhuma dificuldade
- 1: Dificuldade leve / Ocasional
- 2: Dificuldade moderada / Frequente
- 3: Dificuldade grave / Constante
A pontuação total é obtida pela soma de todos os itens. Pontuações mais altas indicam maior comprometimento funcional global. É possível, também, analisar os escores de cada domínio separadamente para identificar áreas de maior prejuízo.
Interpretação e implicações clínicas
A FAST não possui pontos de corte universalmente definidos, mas a pontuação total serve como uma medida quantitativa do prejuízo funcional. Uma pontuação total elevada (ex: acima de 20) geralmente indica um prejuízo significativo que demanda intervenção psicossocial direcionada.
Implicações clínicas:
- Planejamento terapêutico: Os resultados ajudam a identificar os domínios mais afetados, orientando a escolha de intervenções como terapia ocupacional, reabilitação cognitiva ou treino de habilidades sociais.
- Monitoramento do tratamento: A aplicação seriada da FAST permite avaliar objetivamente se as intervenções (farmacológicas e psicossociais) estão resultando em uma melhora funcional real para o paciente, além da simples redução de sintomas.
- Psicoeducação: Discutir os resultados com o paciente pode aumentar seu insight sobre o impacto da doença e a importância da adesão ao tratamento para além do controle das crises.
Referências
Capítulo do Livro: MELLO, A. F.; CARVALHO, A. F.; ABELHA, L. Escalas de Avaliação de Funcionamento. In: GORENSTEIN, C.; WANG, Y. P.; HUNGERBÜHLER, I. (org.). Instrumentos de Avaliação em Saúde Mental. Porto Alegre: Artmed, 2016. p. 1031-1044.
Manual de Aplicação: ROSA, A. R. et al. Escala Breve de Funcionamento para o Transtorno do Humor Bipolar (FAST): Manual de Aplicação. Laboratório de Psiquiatria Molecular – PROTAHBI, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, UFRGS, 2007.